J.G. de Araulo Jorge _ voce_eh_meu_vicio
Tu nunca bates ao meu pensamento
à hora de entrar.
Chegas de repente, invades tudo,
É impossível te expulsar,
 Por que então, já sou eu que te procuro.

Não escolhes momento,
 É na hora séria, é na  hora triste.
Na hora romântica e na  hora de tédio,
Por mais que me encontres fechado em mim mesmo,
Entras pelo pensamento - cada fresta,
Vulnerável às lembranças do teu desejo.

E quando chegas assim,
Estremeço até regiões ignoradas
E me levanto e saio a te buscar
 E a caminhar a êsmo...

Chegas como uma crise a um asmático.
 E então preciso de ti
Como preciso de ar,
E tenho a impressão de que
Se não te alcanço, se não te encontro,
 Vou morrer miserável como
 Um transeunte nas ruas
Antes que o socorro chegue para salvá-lo...

Depois que consegues atingir meu pensamento,
Tua posse é uma obsessão,
Alcançar-te é um suplício...
 Teu amor para mim - é humilhante a confissão -
 Não é amor, é um vício.

J.G de Araújo Jorge

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