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Sonho-me
às vezes rei, nalguma ilha,
Muito
longe, nos mares do Oriente,
Onde
a noite é balsâmica e fulgente
E
a lua cheia sobre as águas brilha...
O
aroma da mongólia e da baunilha
Paira
no ar diáfano e dormente...
Lambe
a orla dos bosques, vagamente,
O
mar com umas finas ondas de escumilha...
E
enquanto eu na varanda de marfim
Me
encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu,
meu amor, divagas ao luar,
Do
profundo jardim pelas clareiras,
Ou
descansas debaixo das palmeiras,
Tendo
aos pés um leão familiar.
Antero de Quental