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Sonhei
- nem sempre o sonho é coisa vã -
Que
um vento me levava arrebatado,
Através
desse espaço constelado
Onde
uma aurora eterna ri louçã...
As
estrelas, que guardam a manhã,
Ao
verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me
e diziam com cuidado:
Onde
está, pobre amigo, a nossa irmã?
Mas
eu baixava os olhos, receoso
Que
traíssem as grandes mágoas minhas,
E
passava furtivo e silencioso,
Nem
ousava contar-lhes, às estrelas,
Contar
às tuas puras irmãzinhas
Quanto
és falsa, meu bem, e indigna delas!
Antero
de Quental