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Rosto
nu na luz direta.
Rosto
suspenso, despido permeável,
Osmose
lenta.
Boca
entreaberta como se bebesse,
Cabeça
atenta.
Rosto
desfeito,
Rosto
sem recusa onde nada se defende,
Rosto
que se dá na angústia do pedido,
Rosto
que as vozes atravessam.
Rosto
derivando lentamente,
Presentimento
que os laranjais segredam,
Rosto
abandonado e transparente
Que
as negras noites de amor em si recebem.
Longos
raios de frio correm sobre o mar
Em
silêncio ergueram-se as paisagens
e
eu toco a solidão com uma pedra.
Rosto
perdido
Que
amargos ventos de secura em si sepultam
E
que as ondas do mar puríssimas lamentam.
Sophia de Mello Breyner Andresen