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Não
há, não,
duas
folhas iguais em toda a criação.
Ou
nervura a menos, ou célula a mais,
não
há de certeza, duas folhas iguais.
Limbo
todas têm,
que
é próprio das folhas;
pecíolo
algumas;
bainha
nem todas.
Umas
são fendidas,
crenadas,
lobadas,
inteiras,
partidas,
singelas,
dobradas.
Outras
acerosas,
redondas,
agudas,
macias,
viscosas,
fibrosas,
carnudas.
Nas
formas presentes,
nos
actos distantes,
mesmo
semelhantes
são
sempre diferentes.
Umas
vão e caem no charco cinzento,
e
lançam apelos nas ondas que fazem;
outras
vão e jazem
sem
mais movimento.
Mas
outras não jazem,
nem
caem, nem gritam,
apenas
volitam
nas
dobras do vento.
É dessas que eu sou.
Miguel Torga