Interrogação
Neste tormento
inútil, neste empenho
De tornar
em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me
roucos bardos à garganta
Num clamor
de loucura que contenho.
Ó
alma da charneca sacrossanta,
Irmã
da alma rútila que eu tenho,
dize para
onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor
que me exalta e me alevanta!
Visões
de mundos novos, de infinitos,
Cadências
de soluços e de gritos,
Fogueira
a esbrasear que me consome!
Dize que
mão é esta que me arrasta?
Nódoa
de sangue que palpita e alastra...
Dize de
que é que eu tenho sede e fome?!