Antero de Quental_idilio
Idílio

Quando nós vamos, ambos, de mãos dadas
colher nos vales lírios e boninas,
galgamos de um fôlego as colinas
dos rocios da noite ainda orvalhadas;
 

ou, vendo o mar,das ermas cumeadas,
comtemplamos as nuvens vespertinas,
que parecem fantásticas ruínas
ao longe, no horizonte, amontuadas,
 

quantas vezes,de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
sinto tremer-te a mão, empalideces...

O vento e o mar mumuram orações,
e a poesia das coisas se insinua
lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental

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