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Me
desculpem, amigos,se não consigo sujar o sonho,
torná-lo
indecifrável e apocalíptico,
se
não consigo lambuzar o símbolo,
se
não posso turvar a imaginação.
Me
desculpem, amigos, meu jeito é este mesmo de ser
poeta,
e
a água da minha onda, por mais profundo que seja
o mar,
é
azul transparente,
e
os peixes têm suas formas, e as algas não têm
suas formas,
e
as estrêlas do mar florecem cinco pontas,
como
as palavras de luzem.
Me
desculpem, amigos,se venho assim transparente
como o fundo de um aquário,
num
parque para crianças e curiosos,
e
se vos ofereço estes velhos símbolos de uma velha e
primitiva poesia
que
chegou com os peixes à terra, talvez antes da
presença do homem.
Ninguém
precisará de escafandros, eu cortarei o mar para
que todos passem,
e
assim de cada lado, os mistérios que se revelam
simples,
como todos os mistérios à luz do sol.
J.G de Araújo Jorge