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Dá-me
a tua mão: vou agora te contar
como
entrei no inexpressivo
que
sempre foi a minha busca cega e secreta.
De
como entrei naquilo que existe
entre
o número um e o número dois,
de
como vi a linha de mistério e fogo
e
que é a linha sub-reptícia.
Entre
duas notas de música existe uma nota,
entre
dois fatos existe um fato,
entre
dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe
um intervalo de espaço,
existe
um sentir que é entre o sentir
-
nos interstícios da matéria primordial
está
a linha de mistério e fogo,
que
é a respiração do mundo,
e
a respiração contínua do mundo
é
aquilo que ouvimos
e
chamamos de silêncio.
Miguel Torga