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Sonho,
mas não parece.
Nem
quero que pareça.
É
por dentro que eu gosto que aconteça
A
minha vida.
Íntima,
funda, como um sentimento
De
que se tem pudor.
Vulcão
de exterior tão apagado,
Que
um pastor
Possa
sobre ele apascentar o gado.
Mas
os versos, depois,
Frutos
do sonho e dessa mesma vida,
É
quase à queima-roupa que os atiro
Contra
a serenidade de quem passa.
Então,
já não sou eu que testemunho
A
graça
Da
poesia:
É
ela, prisioneira,
Que,
vendo a porta da prisão aberta,
Como
chispa que salta da fogueira,
Numa
agressiva fúria se liberta.
Miguel Torga
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