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Eu canto
no crepúsculo... A Tristeza
recorda-me
longínqua aspiração,
na qual
pressinto a imagem da beleza
que os meus
olhos, um dia,alcaçarão...
A paisagem,na
sombra, sonha e reza...
Seu vulto
é de fantástica visão.
Dir-se-á
que a imperdemida Natureza
tem lágrimas
a arder o coração.
E canto a
minha mágoa; vou cantando...
E vou, saudoso
e pálido, ficando
mais distante
de mim, mais para além...
Nesta melancolia,
que é chorar
sem lágrimas,eu
vivo a meditar
no que me
prende... a terra, o céu, alguém?
Teixeira de Pascoães